POESIA NO METRÔ

CLÁUDIO MANUEL DA COSTA

CLÁUDIO MANUEL DA COSTA

SONETO

Dêstes penhascos fêz a natureza
O berço em que nasci! oh: quem cuidara!
Que entre penhas tão duras se criara
Uma alma terna, um peito sem dureza!

Amor, que vence os tigres, por emprêsa
Tomou logo render-me; êle declara
Contra o meu coração guerra tão rara,
Que não me foi bastante a fortaleza.

Por mais que eu mesmo conhecesse o dano
A que dava ocasião minha brandura,
Nunca pude fugir ao cego engano;

Vós, que ostentais a condição mais dura,
Temei, penhas, temei que Amor tirano,
Onde há mais resistência, mais se apura.